Principais diferenças entre uma estrela e um planeta: estrela vs. planeta

~8 min

Tanto as estrelas como os planetas são objetos enormes, maciços e redondos que, vistos da Terra a olho nu, parecem quase iguais. No entanto, são objetos completamente diferentes. O que os distingue? Vamos descobrir!

Qual é a principal diferença entre estrelas e planetas?

Estrelas vs. planetas: de onde vem a sua luz
As estrelas emitem luz própria: durante a maior parte das suas vidas, a fusão do hidrogénio alimenta a sua radiação. Os planetas não mantêm a fusão do hidrogénio; nos comprimentos de onda visíveis, são observados principalmente graças à luz estelar que refletem. Também emitem radiação infravermelha térmica proveniente do seu próprio calor.

A principal diferença é que as estrelas geram enormes quantidades de energia, sobretudo² através da fusão nuclear nos seus núcleos, e irradiam-na sob a forma de luz e calor. É por isso que conseguimos ver estrelas a enormes distâncias.

Em contrapartida, os planetas não mantêm a fusão nuclear e, nos comprimentos de onda visíveis, são normalmente observados sobretudo graças à luz das estrelas que refletem. Também emitem radiação térmica devido ao seu calor interno e à energia estelar absorvida. É por isso que conseguimos ver estrelas a olho nu, mas não exoplanetas¹: uma estrela como o Sol pode ser cerca de 1.000.000.000 de vezes mais brilhante do que a luz refletida por um planeta que a orbita.

¹Em termos simples, um exoplaneta é um planeta fora do Sistema Solar.

²Existem exceções, como as anãs brancas (estrelas «mortas»), que irradiam luz devido ao calor residual.

Conteúdo

Diferenças entre estrelas e planetas

Uma estrela é uma enorme esfera de gás quente —sobretudo hidrogénio e hélio— e plasma que gera energia através da fusão nuclear. O Sol é a estrela mais próxima da Terra.

Um planeta é um corpo natural grande e quase esférico que geralmente orbita uma estrela³ e domina gravitacionalmente a sua região orbital. Os planetas não conseguem manter a fusão do hidrogénio.

³Uma exceção são os planetas errantes.

Além da forma como produzem e emitem energia, existem outras diferenças entre estrelas e planetas. Prefere um resumo visual rápido? Consulte o nosso infográfico: Estrelas vs. planetas.

1. Origem

As estrelas formam-se a partir de enormes nuvens de gás e poeira que colapsam sob a força da gravidade e aquecem, dando início à fusão nuclear nos seus núcleos. Durante este processo, os núcleos de hidrogénio fundem-se através de uma série de reações que acabam por converter quatro protões num núcleo de hélio-4. Isto liberta uma enorme quantidade de energia que faz a estrela brilhar.

Os planetas formam-se geralmente em discos de gás e poeira em torno de estrelas jovens, onde as partículas colidem e se aglomeram, criando objetos maiores.

2. Composição

A maioria das estrelas conhecidas é composta principalmente por hidrogénio e hélio. Entre os planetas existem mundos rochosos, gigantes gasosos e gigantes gelados, além de muitos tipos intermédios encontrados em torno de outras estrelas.

3. Órbita

Os planetas orbitam geralmente estrelas; mais precisamente, uma estrela e os seus planetas orbitam o centro de massa que têm em comum. No entanto, existem exceções, como os planetas errantes (ou de livre flutuação). Estes planetas não estão gravitacionalmente ligados a nenhuma estrela ou anã castanha e viajam sozinhos pelo espaço. Pensa-se que alguns tenham sido expulsos dos seus sistemas planetários originais devido a interações gravitacionais com outros corpos maciços. Outros podem ter-se formado de forma independente através do colapso de pequenas nuvens de gás.

Poll
6

Na sua opinião, o Sistema Solar já teve mais planetas?

4. Massa

As estrelas têm sempre mais massa do que os planetas. Se um planeta gasoso adquirisse massa suficiente para manter a fusão do hidrogénio, transformar-se-ia numa estrela. Quanto aos planetas rochosos, não se conhece nenhum cuja massa se aproxime sequer da massa de uma estrela.

Entre os planetas e as estrelas encontram-se as anãs castanhas, objetos vulgarmente chamados «estrelas falhadas». Formam-se como as estrelas e podem fundir deutério durante um período limitado, mas não conseguem manter a fusão do hidrogénio que alimenta as verdadeiras estrelas. As anãs castanhas têm geralmente entre 13 e 80 vezes a massa de Júpiter. Assim, um gigante gasoso teria de atravessar primeiro o intervalo das anãs castanhas antes de se tornar uma estrela de baixa massa.

5. Diâmetro

Normalmente, as estrelas têm um diâmetro maior do que os planetas. No entanto, existem exceções, como as estrelas anãs brancas. São restos de estrelas que já foram semelhantes ao Sol, mas morreram, expelindo as suas camadas exteriores e deixando apenas o núcleo. Esse núcleo tem aproximadamente o tamanho da Terra. Se planetas maiores do que a Terra sobreviverem à evolução da estrela, um planeta sobrevivente poderá ser maior do que a anã branca que orbita.

6. Temperatura

As estrelas são extremamente quentes, enquanto os planetas apresentam temperaturas relativamente baixas. No entanto, existem casos curiosos. Por exemplo, em 2017, os cientistas descobriram KELT-9b, um planeta cuja face diurna ultrapassa os 4.000 °C, quase tão quente como a superfície do Sol. KELT-9b é tão quente porque orbita extremamente perto de uma estrela de tipo A invulgarmente quente.

7. Atmosfera

A atmosfera de uma estrela é composta principalmente por gases quentes e plasma. Já as atmosferas dos planetas variam em composição e densidade. Por exemplo, a atmosfera seca da Terra contém 78% de azoto e 21% de oxigénio. Vénus possui uma atmosfera dominada por dióxido de carbono, com uma pequena percentagem de azoto, enquanto Marte tem uma atmosfera rarefeita composta principalmente por dióxido de carbono, seguido de azoto e árgon.

8. Habitabilidade

A vida tal como a conhecemos não pode existir nas estrelas devido ao intenso calor e à radiação provenientes dos seus núcleos, bem como à ausência de uma superfície sólida. Muitos planetas também são inabitáveis devido a temperaturas extremas, à falta de ar respirável ou a ambientes tóxicos. No entanto, somos a prova viva de que alguns planetas, como a Terra, podem sustentar vida.

Já se perguntou se existe vida para além da Terra? O nosso infográfico permite explorar facilmente esta possibilidade. Saiba mais sobre a vida no Universo através de imagens.

9. Tempo de vida

Os planetas não têm um ciclo de vida intrínseco comparável e podem persistir durante períodos extremamente longos, a menos que sejam destruídos ou engolidos. As estrelas, em contrapartida, têm um ciclo de vida bem definido, desde o nascimento até à morte. Este ciclo depende da massa da estrela: quanto maior for a sua massa, menor será o seu tempo de vida. Por exemplo, as estrelas de maior massa podem morrer após apenas alguns milhões de anos, enquanto uma estrela semelhante ao Sol pode viver cerca de 10 mil milhões de anos.

10. Quantidade no Universo

Os planetas são mais numerosos do que as estrelas no nosso Universo. Estima-se que, só na Via Láctea, o número total de planetas —incluindo os planetas errantes— seja entre 100 e 100.000 vezes superior ao número de estrelas.

Um planeta pode transformar-se numa estrela?

Será que um planeta poderia transformar-se numa estrela? Teoricamente, sim. Se um planeta composto principalmente por hidrogénio adquirisse massa suficiente, seria comprimido e aqueceria até começar a fusão sustentada do hidrogénio no seu núcleo.

Tomemos como exemplo Júpiter, que é composto principalmente por hidrogénio. A sua massa é de 1,898 × 10²⁷ kg, enquanto a massa do Sol é de 1,989 × 10³⁰ kg. Assim, Júpiter tem cerca de mil vezes menos massa do que o Sol. Por outras palavras, para criar uma estrela semelhante ao Sol, teríamos de reunir aproximadamente mil massas de Júpiter. No entanto, existem estrelas muito menos massivas do que o Sol: uma anã vermelha pode ter cerca de 7,5% da massa solar, ou aproximadamente 80 massas de Júpiter.

Portanto, hipoteticamente, é possível transformar um planeta numa estrela, mas este teria de adquirir massa suficiente para atingir o valor mínimo necessário para manter a fusão do hidrogénio.

Como distinguir planetas de estrelas no céu

Agora que conhece a diferença entre uma estrela e um planeta no espaço, está na altura de abordar uma questão mais prática. Vistos da superfície da Terra, as estrelas e os planetas parecem muito semelhantes; estas pistas irão ajudá-lo a distingui-los.

Como distinguir estrelas de planetas no céu
Existem alguns truques que ajudam a diferenciar estrelas de planetas no céu, mas a forma mais fiável de os distinguir é utilizar um instrumento óptico ou uma aplicação de astronomia.

1. Verifique se cintila

As estrelas costumam cintilar de forma mais percetível, enquanto os planetas tendem a brilhar com uma luz mais estável.

Uma estrela distante é, na prática, uma fonte pontual, pelo que a turbulência na atmosfera terrestre pode alterar rapidamente o seu brilho e posição aparentes. Os planetas estão suficientemente próximos para apresentarem pequenos discos, mesmo que estes sejam demasiado pequenos para serem distinguidos a olho nu. A luz chega de vários pontos do disco, pelo que as flutuações atmosféricas tendem a anular-se mutuamente.

Esta é apenas uma pista, não uma regra absoluta. Um planeta próximo do horizonte pode cintilar intensamente porque a sua luz atravessa uma maior quantidade de ar turbulento. Uma estrela brilhante a grande altura no céu pode parecer relativamente estável. Saiba mais no nosso guia sobre por que razão as estrelas cintilam.

2. Tenha em conta o brilho

Se Vénus estiver visível, será o objeto semelhante a uma estrela mais brilhante do céu. A sua magnitude varia entre −3 e −4,9, enquanto a estrela mais brilhante, Sírio, tem uma magnitude de −1,46. No entanto, como permanece sempre relativamente perto do Sol, Vénus aparece no céu ao anoitecer ou ao amanhecer, e não a meio da noite.

Júpiter também é excecionalmente brilhante e é muitas vezes o objeto mais destacado quando Vénus não está presente. Marte pode superar a maioria das estrelas em brilho perto da oposição, mas torna-se muito mais ténue noutras alturas. Mercúrio, por sua vez, pode ser brilhante, mas é geralmente observado durante o crepúsculo.

3. Olhe perto da eclíptica

A eclíptica representa a trajetória aparente do Sol no céu. Como as órbitas de todos os planetas se encontram mais ou menos no mesmo plano, todos eles atravessam praticamente as mesmas constelações que o Sol no nosso céu: as constelações da eclíptica.

Por isso, não espere ver um planeta na Ursa Maior ou na constelação do Unicórnio. Procure os planetas dentro ou perto das constelações da eclíptica.

4. Observe a cor

A cor de um planeta pode ajudar a identificar qual está a observar.

Vénus apresenta-se branco, enquanto Júpiter e Saturno têm uma tonalidade amarelada. Marte é facilmente reconhecido pela sua cor avermelhada. Mercúrio costuma parecer branco ou amarelo-pálido, embora a sua cor possa ser difícil de distinguir porque o planeta é frequentemente observado baixo sobre o horizonte durante um crepúsculo luminoso.

Os dois planetas mais distantes são demasiado ténues para serem identificados pela cor a olho nu. Através de binóculos ou de um telescópio, Urano pode apresentar uma ligeira tonalidade azul-esverdeada. Neptuno requer um instrumento óptico e aparece azul-pálido através de um telescópio.

5. Utilize ampliação

Se tiver binóculos ou um telescópio, observe o objeto mais de perto. Mesmo com ampliação, as estrelas continuam a parecer pontos de luz. Alguns planetas, porém, aparecem como pequenos discos e podem revelar detalhes adicionais, como fases, anéis ou luas.

Descubra o que pode observar com binóculos no nosso guia: Os melhores objetos do céu noturno para observar com binóculos.

6. Utilize uma aplicação de astronomia

Utilize a aplicação gratuita Star Walk 2 para identificar rapidamente se está a observar uma estrela ou um planeta. Basta apontar o smartphone para o céu, e a aplicação identificará o objeto.

Diferença entre uma estrela e um planeta: conclusão

A principal diferença entre estrelas e planetas é que as estrelas emitem luz própria, enquanto os planetas não mantêm a fusão do hidrogénio e, nos comprimentos de onda visíveis, são observados principalmente graças à luz estelar que refletem. É por isso que estrelas distantes são visíveis a olho nu, enquanto os planetas fora do Sistema Solar não são.

A partir da Terra, pode tentar distinguir um planeta de uma estrela pela cor, pela posição no céu e pela intensidade com que cintila. No entanto, nenhuma destas pistas é totalmente fiável por si só. A forma mais simples de identificar um objeto desconhecido é utilizar Star Walk 2, que mostra o que é e onde encontrá-lo no céu a partir da sua localização.

Stars VS Planets
Quanto uma estrela difere de um planeta? Qual é uma maneira fácil de distingui-los no céu? Leia esta infografia para saber as respostas.
Veja Infográfico
Crédito Texto:
Trustpilot