Quando é previsto que o próximo asteroide atinja a Terra?
De vez em quando, os meios de comunicação publicam dezenas de manchetes alarmistas sobre rochas espaciais que se dirigem ao nosso planeta. Mas será que existe mesmo uma grande probabilidade de um asteroide atingir a Terra num futuro próximo? Neste artigo, encontrará respostas para as perguntas mais urgentes sobre asteroides potencialmente perigosos. A propósito, pode localizar os asteroides com o Sky Tonight – acompanhe em que parte do céu se encontram neste momento, embora seja pouco provável que os consiga ver.
Índice
- Asteroides em direção à Terra em 2026: vão atingir o nosso planeta?
- Asteroides famosos que podem impactar a Terra
- Onde acompanhar as últimas notícias sobre asteroides em direção à Terra?
- Quais são as probabilidades de um asteroide atingir a Terra?
- Como distinguimos asteroides perigosos dos não perigosos?
- Como detetamos asteroides próximos da Terra?
- Como podemos impedir que asteroides atinjam a Terra?
- Em resumo: um asteroide vai atingir a Terra em 2026?
Asteroides em direção à Terra em 2026: vão atingir o nosso planeta?
Eis uma lista dos asteroides que passarão perto do nosso planeta num futuro próximo. Neste momento, não há indícios de que qualquer um destes asteroides colida com a Terra. Incluímos apenas os que passarão a cerca de 5 distâncias lunares (DL) da Terra. Uma distância lunar (384.399 km) é a distância média entre a Lua e a Terra.
17 de março de 2026: 2015 VO142
- Tamanho: 4 m - 10 m
- Magnitude: 21,0
- Distância de maior aproximação: 2,7 DL
19 de março de 2026: 2026 DP15
- Tamanho: 15 m - 40 m
- Magnitude: 20,6
- Distância de maior aproximação: 5,1 DL
22 de março de 2026: 2010 RA91
- Tamanho: 50 m - 115 m
- Magnitude: 17,0
- Distância de maior aproximação: 4,7 DL
4 de abril de 2026: 2023 DZ2
- Tamanho: 35 m - 85 m
- Magnitude: 21,0
- Distância de maior aproximação: 2,6 DL
7 de abril de 2026: 2024 TB7
- Tamanho: 4 m - 8 m
- Magnitude: 22,8
- Distância de maior aproximação: 4,8 DL
14 de abril de 2026: 2013 GM3
- Tamanho: 15 m - 35 m
- Magnitude: 19,2
- Distância de maior aproximação: 0,7 DL
Asteroides famosos que podem impactar a Terra
As notícias sobre um asteroide em direção à Terra com possibilidade de impacto despertam grande interesse. Na verdade, em março de 2026, existem 2.532 asteroides potencialmente perigosos, mas apenas alguns chegam às manchetes. Vamos analisar os asteroides mais famosos que se aproximarão da Terra num futuro próximo e ver se algum deles representa uma ameaça ao nosso planeta.
13 de abril de 2029: Apophis
Apophis é um grande asteroide próximo da Terra, com aproximadamente 370 metros (1.213 pés) de diâmetro (cerca do tamanho do Empire State Building). Orbita o Sol aproximadamente a cada 324 dias.
O asteroide passará perto do nosso planeta em 2029, 2036 e 2068. Cálculos iniciais sugeriam uma potencial colisão com a Terra em 2029. No entanto, observações posteriores confirmaram que Apophis não colidirá com o nosso planeta durante pelo menos os próximos 100 anos. Leia o nosso artigo para conhecer todos os detalhes sobre o asteroide Apophis.
22 de dezembro de 2032: 2024 YR4
O asteroide 2024 YR4 foi descoberto pelo telescópio ATLAS em 27 de dezembro de 2024. Com cerca de 44-100 metros de diâmetro, é comparável em tamanho a um edifício alto (15 a 30 andares). O asteroide completa uma órbita em torno do Sol aproximadamente a cada 4 anos. Pouco depois da descoberta, os astrónomos perceberam que ele já tinha passado perto da Terra em 25 de dezembro de 2024, a uma distância de 830.000 quilómetros (cerca de 2,15 vezes a distância até à Lua).
Inicialmente, pensou-se que o asteroide 2024 YR4 tinha uma probabilidade recorde de atingir a Terra em 22 de dezembro de 2032. Observações adicionais reduziram significativamente o risco de impacto. A NASA concluiu que o objeto não representa qualquer ameaça significativa para a Terra. A probabilidade de o asteroide 2024 YR4 atingir a Terra é de cerca de 0,001%.
Também se pensou anteriormente que 2024 YR4 tinha 3,8% de probabilidade de atingir a Lua em 2032. No entanto, os astrónomos confirmaram, com base em novas observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb, que 2024 YR4 não atingirá a Lua. Em vez disso, passará em segurança pela Lua a uma distância superior a 20.000 quilómetros.
Leia o nosso artigo para conhecer todos os detalhes sobre o asteroide.
23 de maio de 2036: 2003 MH4
2003 MH4 é um grande asteroide próximo da Terra descoberto em 26 de junho de 2003. Tem aproximadamente 366 metros (1.102 pés) de diâmetro (ligeiramente maior do que a Torre Eiffel). O asteroide orbita o Sol aproximadamente a cada 2,7 anos. Tornou-se recentemente um tema quente nos meios de comunicação devido à sua próxima passagem pela Terra.
Em 23 de maio de 2036, 2003 MH4 passará em segurança pela Terra a uma distância de 0,049 UA, o que corresponde a cerca de 7.453.879 km (4.631.625 milhas) ou 19 distâncias lunares. Pode parecer bastante longe, mas, na escala do espaço, é muito perto. Não se espera que o asteroide colida com o nosso planeta, pelo que atualmente não consta das listas de risco da NASA nem da ESA. No entanto, a sua proximidade da Terra, aliada ao seu grande tamanho, permite aos cientistas classificá-lo como asteroide potencialmente perigoso (PHA). Esse estatuto é atribuído a todos os asteroides com mais de 140 metros (460 pés) de diâmetro que se aproximam da Terra a menos de 0,05 UA, ou 7,5 milhões de quilómetros (4,65 milhões de milhas). Isso não implica que 2003 MH4 esteja destinado a atingir a Terra um dia; significa apenas que requer uma monitorização mais próxima.
14 de fevereiro de 2046: 2023 DW
O asteroide 2023 DW foi descoberto em 26 de fevereiro de 2023. Segundo a NASA, tem cerca de 50 metros (160 pés) de diâmetro, o que corresponde aproximadamente à largura de um campo de futebol americano. Desloca-se a uma velocidade de 25 km/s (15,5 milhas por segundo) e completa uma órbita em torno do Sol em 271 dias.
Em fevereiro de 2023, previa-se que o asteroide tivesse uma probabilidade de colidir com a Terra em 14 de fevereiro de 2046. Foi adicionado à Risk List da ESA (um catálogo de objetos que podem vir a atingir a Terra) e recebeu classificação 1 na escala de Torino (os outros 1.450 asteroides da lista tinham classificação 0). No entanto, já em meados de março de 2023, a ESA baixou a classificação para 0 e depois removeu-o da lista. A NASA fez o mesmo: 2023 DW está agora na lista de objetos para os quais “todos os potenciais impactos previamente detetados foram eliminados”. Portanto, parece que tivemos sorte, e o asteroide 2023 DW não atingirá a Terra.
24 de setembro de 2182: Bennu
O asteroide 101955 Bennu foi descoberto em 11 de setembro de 1999 pelo projeto LINEAR. Medindo cerca de 480 metros (1.600 pés) de diâmetro, tem aproximadamente o tamanho da Central Park Tower, em Nova Iorque — o edifício residencial mais alto do mundo. Bennu orbita o Sol a cada 1,2 anos e aproxima-se da Terra de seis em seis anos.
Bennu tem sido estudado de perto, especialmente depois de a missão OSIRIS-REx da NASA ter recolhido amostras da sua superfície em 2020. Em 24 de setembro de 2023, a sonda trouxe com sucesso uma amostra de Bennu de volta à Terra, a qual foi analisada por investigadores de todo o mundo. Os resultados indicam que Bennu contém os ingredientes básicos da vida, incluindo o aminoácido simples glicina e minerais portadores de água, fornecendo pistas valiosas sobre a origem da vida.
Cálculos iniciais sugeriam uma pequena probabilidade de impacto no final do século XXII, com a maior probabilidade a ocorrer em 24 de setembro de 2182. Os cientistas da NASA estimam agora 0,037% (1 em 2.700) de probabilidade de Bennu atingir a Terra nessa data. Bennu é atualmente um dos dois objetos no topo da Sentry Risk List da NASA, embora a sua probabilidade de impacto continue a ser muito baixa.
16 de março de 2880: 29075 (1950 DA)
O asteroide 29075 (1950 DA) foi observado pela primeira vez em 23 de fevereiro de 1950, mas perdeu-se durante décadas antes de ser redescoberto em 2000. Mede 1,3 quilómetros de diâmetro — grande o suficiente para causar danos catastróficos se algum dia atingir a Terra. 1950 DA segue uma órbita de 2,2 anos em torno do Sol.
Previsões iniciais sugeriam um potencial impacto em 16 de março de 2880, com uma probabilidade acima da média em comparação com outros asteroides conhecidos. No entanto, cálculos mais precisos reduziram desde então o risco, e os especialistas acreditam agora que o asteroide muito provavelmente passará ao lado da Terra. Juntamente com Bennu, 1950 DA lidera a Sentry Risk List da NASA, com uma probabilidade estimada de impacto de 1 em 51.020 (~0,00196%) no ano 2880. Os cientistas continuam a monitorizar a sua trajetória para garantir previsões precisas nos próximos séculos.
Onde acompanhar as últimas notícias sobre asteroides em direção à Terra?
Pode verificar facilmente se algum asteroide se aproximará do nosso planeta em breve. Abra o site do Minor Planet Center e procure a lista Close Approaches na parte inferior direita da página principal. Ela contém todos os asteroides conhecidos que passarão perto da Terra a curta distância nos próximos meses. Além do nome do asteroide e da data da aproximação máxima, pode saber o seu tamanho (em metros) e a distância a que passará da Terra (em distâncias lunares).
O Asteroid Watch Dashboard da NASA fornece informações semelhantes, mas com referências visuais, o que facilita imaginar o tamanho do asteroide. Note que mostra apenas as 5 próximas aproximações.
Se tiver interesse num asteroide específico, use o Small-Body Database Browser da NASA JPL. Introduza o nome ou o número do asteroide e obterá informações detalhadas sobre a sua órbita, parâmetros físicos e circunstâncias da descoberta.
Pode acompanhar a posição de um asteroide no céu com a aplicação Sky Tonight. Toque no ícone da lupa e escreva o nome na barra de pesquisa. Quando o asteroide aparecer nos resultados da pesquisa, toque no ícone azul de alvo ao lado do nome. O Sky Tonight mostrará a localização atual do asteroide no céu.

Quais são as probabilidades de um asteroide atingir a Terra?
Do ponto de vista de um astrónomo, colisões entre corpos celestes são normais. Talvez surpreenda saber que acontecem com bastante frequência. Pequenos asteroides com cerca de um metro de diâmetro entram na atmosfera terrestre aproximadamente de duas em duas semanas e, normalmente, queimam-se sem causar danos.

No entanto, um grande asteroide pode causar uma catástrofe mundial: toneladas de poeira e cinzas subirão ao céu e bloquearão o Sol durante vários anos. Haverá quebras nas colheitas e incêndios florestais, levando à fome em massa. A boa notícia é que, segundo a NASA, asteroides com mais de 100 metros capazes de causar danos locais atingem a Terra aproximadamente a cada 10.000–20.000 anos. Rochas espaciais com mais de 1 quilómetro, capazes de ameaçar a vida no nosso planeta, surgem apenas uma vez a cada poucos milhões de anos. Por outras palavras, há uma probabilidade muito pequena de ser afetado por um asteroide ao longo da vida. Ainda assim, é sempre bom estar preparado. Vejamos as medidas que os astrónomos tomam para garantir a segurança da Terra.

Como distinguimos asteroides perigosos dos não perigosos?
Já foram descobertos mais de 1 milhão de asteroides, e nem todos merecem preocupação. Os cientistas prestam atenção especial aos chamados asteroides potencialmente perigosos. Para ser classificado como potencialmente perigoso, um asteroide tem de cumprir dois critérios principais.
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Em primeiro lugar, tem de ter uma distância mínima de interseção orbital (MOID) com a Terra de 0,05 UA ou menos. Um asteroide com uma órbita assim pode aproximar-se perigosamente do nosso planeta.
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Em segundo lugar, tem de ter uma magnitude absoluta de 22,0 ou menos. Estima-se que os menores asteroides com esse brilho tenham entre 110 e 240 metros de diâmetro — o suficiente para causar danos locais significativos em caso de impacto.
O potencial de perigo de um asteroide é medido usando duas escalas: a Escala de Perigo de Impacto de Torino e a Escala Técnica de Perigo de Impacto de Palermo. A escala de Torino é utilizada para comunicar ao público em geral o risco potencial de um futuro impacto de asteroide. Nesta escala simples, atribui-se ao objeto um valor de 0 a 10 com base na probabilidade de colisão e na energia cinética do possível impacto. A escala de Palermo é semelhante, mas mais complexa, e é usada principalmente por astrónomos profissionais.
As órbitas dos corpos celestes mudam sob a influência da gravidade do Sol, dos planetas e de outros asteroides. Por isso, assim que um asteroide é rotulado como potencialmente perigoso, os cientistas acompanham-no e realizam cálculos de alta precisão. Se um asteroide for observado durante dez anos, a sua órbita pode ser calculada com 200 anos de antecedência.
Que tamanho tem de ter um asteroide para ser perigoso?
Como já dissemos, nem todos os impactos de asteroides levam a um desastre. Então, que tamanho tem de ter um asteroide para causar danos graves? Para responder a essa pergunta, vejamos alguns exemplos.
- O corpo impactor de Chicxulub que causou a extinção em massa na Terra há 65 milhões de anos tinha cerca de 10 quilómetros de diâmetro. Presume-se que tenha sido esse mesmo asteroide a pôr fim à era dos dinossauros.
- O corpo impactor de Tunguska que explodiu na atmosfera e derrubou 80 milhões de árvores da taiga em 1908 tinha cerca de 100 metros de diâmetro. Foi, e continua a ser, o maior impacto de asteroide da história registada.
- Por fim, o meteoro de Chelyabinsk que entrou na atmosfera terrestre em 2013 tinha cerca de 20 metros de diâmetro. Este objeto nem sequer atingiu a superfície terrestre, mas a sua explosão ainda danificou mais de 7.000 edifícios. Para saber mais sobre estes três famosos asteroides, veja o nosso vídeo.
Pode tirar as suas próprias conclusões. Mesmo rochas espaciais relativamente pequenas, como o meteoro de Chelyabinsk, podem causar danos locais. Asteroides com mais de 1 quilómetro podem ter efeitos globais, como provocar alterações climáticas de longo prazo. Para uma melhor compreensão visual, veja o nosso infográfico, no qual comparamos o tamanho dos asteroides com as possíveis consequências do impacto.

Quantos asteroides potencialmente perigosos existem?
Em março de 2026, os astrónomos detetaram 2.532 asteroides potencialmente perigosos, dos quais 153 têm mais de 1 quilómetro (0,6 milhas) de diâmetro. O maior asteroide potencialmente perigoso conhecido é (53319) 1999 JM8 — estima-se que tenha cerca de 7 quilómetros de diâmetro.
Gostaríamos de sublinhar que estes dados não significam que todos estes asteroides acabarão por atingir a Terra — apenas que têm potencial para o fazer. Nenhum destes asteroides representa qualquer risco significativo de impacto nos próximos 100 anos. Pode encontrar informações mais específicas no site do CNEOS da NASA. Há uma tabela que resume todos os possíveis eventos de impacto futuros e fornece classificações de perigo usando as escalas de Torino e Palermo.
Como detetamos asteroides próximos da Terra?

Nos últimos 30 anos, fizemos progressos significativos na descoberta de asteroides próximos da Terra: os astrónomos relatam novos objetos quase diariamente. Muitos projetos trabalham continuamente na deteção de objetos próximos da Terra (NEOs) — asteroides e cometas que passam perto da órbita da Terra. Vamos mencionar apenas alguns desses projetos.
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Em primeiro lugar, há o ATLAS — o Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System, construído no Havai. É composto por dois telescópios de 0,5 metro, separados por 160 km, que varrem o céu em todas as noites de céu limpo. Entre outros NEOs, o ATLAS descobriu o famoso cometa C/2019 Y4 (ATLAS).
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Depois, há o Catalina Sky Survey (CSS), localizado nas montanhas Catalina, no Arizona, EUA. Este levantamento astronómico concentra-se especificamente na deteção de asteroides potencialmente perigosos e na estimativa dos riscos de impacto.
Nos últimos dez anos, os levantamentos terrestres e o telescópio espacial da NASA detetaram milhares de objetos próximos da Terra e contribuíram enormemente para o nosso conhecimento sobre a monitorização de asteroides e cometas. De acordo com dados recentes, mais de 90% dos asteroides próximos da Terra com mais de 1 km de diâmetro (grandes o suficiente para causar consequências globais) já foram descobertos. No entanto, cerca de metade dos pequenos asteroides só é descoberta depois de já terem passado pela Terra. Por vezes, os astrónomos só reparam num asteroide horas antes da sua aproximação à Terra, como aconteceu com o asteroide 2024 XA1, que rasgou o céu da Sibéria em dezembro de 2024. Neste momento, é o melhor que conseguimos fazer.
Como podemos impedir que asteroides atinjam a Terra?

Então, o que podemos fazer se houver um asteroide a caminho da Terra? Os cientistas estão a trabalhar em formas de defender o planeta. A boa notícia é que temos várias soluções possíveis, e pelo menos uma delas já foi testada com sucesso. A notícia menos boa é que nenhuma delas pode ser posta em prática de um momento para o outro. Uma missão espacial deste tipo leva vários anos desde a aprovação até ao lançamento. Isso significa que temos de detetar asteroides perigosos anos antes (de preferência, uma década antes) de se aproximarem da Terra, se quisermos construir uma nave capaz de os desviar a tempo. É por isso que é tão importante encontrar o maior número possível de objetos próximos da Terra e calcular as suas órbitas com antecedência. Eis algumas das ideias que temos neste momento para evitar um impacto.
DART
A Double Asteroid Redirection Test (DART) foi a missão da NASA que testou tecnologias para prevenir o impacto de um asteroide. O alvo da missão foi o asteroide Dimorphos — a pequena lua do asteroide binário próximo da Terra Didymos. Em setembro de 2022, a sonda DART colidiu com a pequena lua (que tem cerca de 160 m), alterando assim a sua velocidade e o seu período orbital. Esta missão provou que, no futuro, será possível desviar uma rocha espacial perigosa.
Trator gravitacional
Este método utiliza uma nave espacial que acompanharia um asteroide durante vários anos e usaria a sua atração gravitacional para desviar lentamente a rocha da sua trajetória. Os tratores gravitacionais podem funcionar com asteroides de qualquer forma e composição. São altamente controláveis, o que permite garantir que o asteroide será colocado numa órbita segura. No entanto, podem ser incapazes de deslocar os maiores asteroides (com mais de 500 metros de diâmetro), que representam a maior ameaça para a Terra.
Pintura com spray
Quando se fala em desviar asteroides, a pintura não é exatamente o que se imagina à primeira vista. No entanto, a ideia baseia-se num fenómeno real conhecido como efeito Yarkovsky, que descreve a forma como a luz solar afeta a órbita de um asteroide. Em resumo, superfícies mais escuras tendem a refletir menos, e superfícies mais claras tendem a refletir mais. Ao alterar a quantidade de luz refletida por um asteroide, poderíamos mudar a sua trajetória. O método carece de precisão e levaria anos ou até décadas a produzir qualquer efeito notável. Por outro lado, se algo correr mal, os cientistas terão tempo suficiente para recalcular e tentar novamente.
Arma nuclear
Uma bomba nuclear poderia ser uma opção de último recurso quando um asteroide estivesse prestes a atingir a Terra e já não houvesse tempo para pôr em prática outras soluções. A ideia é detonar um explosivo nuclear à distância certa de um asteroide (e não na sua superfície) para o empurrar para fora da sua trajetória atual. A vantagem é que a missão pode ser realizada relativamente depressa usando tecnologias já existentes (poderíamos equipar um foguetão com uma ogiva nuclear e lançá-lo de uma plataforma convencional). A desvantagem é que o asteroide pode fragmentar-se, o que poderia causar ainda mais danos.
Júpiter está a proteger a Terra de ser atingida por um asteroide?
A ideia de que Júpiter protege a Terra dos asteroides é um tema de debate científico contínuo, e a resposta é simultaneamente sim e não, dependendo do contexto.
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Por um lado, como o maior planeta do Sistema Solar, Júpiter tem um campo gravitacional imenso. Isso permite-lhe atuar como um “aspirador cósmico”, atraindo ou desviando asteroides, cometas e outros detritos que, de outra forma, poderiam cruzar a órbita da Terra. Muitos objetos vindos do Sistema Solar exterior são desviados ou capturados por Júpiter antes de poderem ameaçar a Terra. Um bom exemplo disso é o cometa Shoemaker-Levy 9, que colidiu com Júpiter em 1994 em vez de continuar a atravessar o Sistema Solar. Além disso, Júpiter desempenha um papel crucial na manutenção da estrutura do cinturão de asteroides, uma região situada entre Marte e Júpiter que contém a maioria dos asteroides conhecidos. A sua poderosa atração gravitacional contraria a influência do Sol, ajudando a estabilizar as órbitas dos asteroides (pelo menos na maior parte do tempo).
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Por outro lado, simulações sugerem que, embora Júpiter seja eficaz a desviar cometas de longo período vindos da nuvem de Oort, também pode atrair cometas de curto período e asteroides em direção à Terra. Sob a influência da gravidade de Júpiter, estes objetos — que talvez de outra forma não se aproximassem de nós — podem ser desviados para novas órbitas que aumentam as probabilidades de impactar os planetas terrestres.
Em resumo, o enorme tamanho e a influência gravitacional de Júpiter ajudam a reduzir a frequência dos impactos de asteroides na Terra. No entanto, o seu papel não é puramente o de um escudo: ocasionalmente, também pode direcionar objetos na nossa direção. Portanto, a melhor defesa que temos somos nós próprios.
Esperamos que se sinta em segurança (ou pelo menos mais preparado) depois de ler este artigo. Agora que aprendeu tanto sobre asteroides, divirta-se com o nosso quiz para testar os seus conhecimentos.

Em resumo: um asteroide vai atingir a Terra em 2026?
Sem dúvida! Em duas semanas ou menos. Pequenos asteroides atingem a Terra o tempo todo, mas são tão pequenos que mal deixam marca. Asteroides maiores poderiam trazer problemas maiores, mas, este ano, espera-se que todos passem a toda a velocidade pela Terra sem risco de impacto. Por agora, não há nada com que se preocupar, por isso pode simplesmente acompanhar os asteroides mais brilhantes através do Sky Tonight e observá-los sem receio de que atinjam a Terra.
