Fobos e Deimos: Luas impossíveis de Marte

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Fobos e Deimos: Luas impossíveis de Marte

Há 145 anos, em agosto de 1877, duas luas na órbita de Marte — Fobos e Deimos — foram oficialmente descobertas. Elas acabaram se revelando entre os satélites naturais mais estranhos de todo o Sistema Solar. Vamos ver o que essas luas têm de tão especial.

Índice

Fatos interessantes

  • Se você passasse alguns dias em Marte, ficaria surpreso com o movimento estranho de suas luas. Durante o lento percurso de 66 horas de Deimos pelo céu de Marte na direção oeste, Fobos cruza rapidamente os céus na direção oposta mais de seis vezes.

  • Fobos orbita seu planeta mais próximo que qualquer outra lua no Sistema Solar — apenas 6.000 km acima da superfície de Marte (em comparação, nossa lua está 384.400 km acima da Terra). Deimos está em segundo lugar entre as luas dos planetas do Sistema Solar.

  • Marte perderá suas luas. Fobos, que se aproxima lentamente de Marte, se chocará contra o planeta ou se fragmentará, transformando-se em um anel. Deimos, pelo contrário, se afasta de Marte e acabará saindo da órbita do planeta.

  • Embora Fobos tenha apenas 1% do diâmetro de nossa Lua, vista de Marte, ela parece ter cerca de metade da largura da Lua. Por sua vez, vista do planeta vermelho, Deimos parece ser do tamanho de uma estrela.

  • A origem de Fobos e Deimos ainda é controversa e não corresponde à forma como as luas planetárias costumam ser formadas.

Quantas luas Marte tem?

Até hoje, Fobos e Deimos continuam sendo as únicas luas descobertas na órbita de Marte. Há teorias que afirmam que o planeta tem mais luas, com 50 a 100 metros de tamanho, mas ainda não foi encontrada nenhuma.

Fobos (Marte I)

  • Raio: 11,2 km
  • Massa: 1,0659×10^16 kg
  • Velocidade orbital (sideral): 7 h 39 m 12 s
  • Temperatura da superfície: de −4 °C a −112 °C
  • Distância orbital: 9.235,6 km
  • Rotação: síncrona
  • Magnitude aparente: 11,8
  • Nomeado em homenagem a: Deus grego do medo e do pânico

Deimos (Marte II)

  • Raio: 6,2 km
  • Massa: 1,4762×10^15 kg
  • Velocidade orbital (sideral): 30,3 hours
  • Temperatura da superfície: -40,15°C
  • Distância orbital: 23.458 km
  • Rotação: síncrona
  • Magnitude aparente: 12,89
  • Nomeado em homenagem a: Deus grego do pavor e terror

Teorias sobre a origem das luas de Marte

Existem algumas teorias que buscam explicar a origem das luas de Marte. Vamos examiná-las em mais detalhes.

Elas são ex-asteroides

Com formato irregular e repletas de crateras, Fobos e Deimos podem ser asteroides capturados pela força gravitacional de Marte (assim como Febe de Saturno ou Tritão de Netuno). Porém, nesse caso, a órbita quase circular das luas de Marte é improvável, ainda que possível. Simulações de computador mostram que, se Fobos e Deimos fossem mesmo asteroides, elas teriam órbitas mais irregulares.

Elas são resultado de um impacto gigantesco

As luas de Marte podem ter se formado como resultado de um impacto enorme (como provavelmente aconteceu com a Lua da Terra e as luas de Plutão). Esse impacto atirou rochas e detritos para a órbita do planeta vermelho. Mas, como na hipótese dos asteroides, as simulações computadorizadas refutam essa teoria. Aparentemente, não há combinações de parâmetros de colisão que pudessem levar à formação de duas luas pequenas e de pouca massa, como Fobos e Deimos.

Elas se formaram a partir de rochas e poeira ao redor de Marte

Fobos e Deimos poderiam ter se formado a partir de um disco gigante de rochas e poeira que orbitava Marte no início do Sistema Solar. Foi o que aconteceu com a maioria das luas nos sistemas Joviano, Saturniano e Uraniano. Mas os cientistas dizem que isso requer um disco grande e maciço e que, se já houve um disco assim ao redor de Marte, o mais provável seria a formação de uma única lua maior em vez de duas pequenas.

São os resquícios de uma lua despedaçada

Como as três teorias anteriores para explicar a formação de outros satélites naturais não conseguem explicar as luas de Marte, os cientistas pensaram em uma ideia nova.

Pesquisas recentes mostraram que as órbitas de Fobos e Deimos podem ter se cruzado entre 1 e 2,7 bilhões de anos atrás, sugerindo que elas se originaram de uma lua maior que provavelmente se rompeu devido a um impacto gigantesco. Os detritos dessa lua podem ter caído em Marte, o que explicaria as muitas crateras em sua superfície.

São necessários mais dados para provar essa teoria. Os cientistas depositam suas esperanças na vindoura missão Martian Moons eXploration (MMX) da agência espacial japonesa JAXA, que tem como objetivo explorar as duas luas e trazer amostras de Fobos. Esclarecer a origem das duas luas nos ajudará a entender mais sobre a formação do Sistema Solar.

Quem descobriu as luas de Marte?

O astrônomo americano Asaph Hall descobriu as duas luas de Marte em 1877. Ele descobriu a primeira lua, que chamou de Deimos, em 12 de agosto de 1877; a segunda ele viu seis dias depois, em 18 de agosto de 1877, e a chamou de Fobos.

Os astrônomos sugeriram pela primeira vez que Marte tinha luas no século XVII, por volta da época em que os satélites naturais de Júpiter foram descobertos. Porém, não foram cálculos ou observações que os levaram a essa ideia, mas um simples erro.

Para manter sua privacidade, Galileu Galilei, em suas cartas a Johannes Kepler, usou anagramas (textos embaralhados). Quando Galileu viu algo curioso perto de Saturno, ele enviou a Kepler um anagrama que significava: "Eu observei que o planeta mais alto é um trio". Galileu estava se referindo a Saturno e seus anéis (que ele confundiu com luas, porque pareciam pontos em seu telescópio primitivo). Porém, Kepler interpretou seu anagrama como "Marte tem duas luas", o que, é claro, era verdade, mas nenhum astrônomo sabia disso.

Naquela época, os telescópios eram fracos demais para mostrar as pequenas luas de Marte orbitando extremamente perto do planeta. Após essa curiosa coincidência, os astrônomos passaram mais dois séculos tentando encontrar os satélites naturais de Marte.

Os nomes das luas de Marte

Asaph Hall deu às luas de Marte os nomes dos gêmeos da mitologia grega — Fobos, o deus do medo e do pânico, e Deimos, o deus do terror e do pavor. Fobos e Deimos eram filhos de Ares, o deus grego da guerra. Para os romanos, Ares era conhecido como Marte.

Perguntas frequentes (FAQs)

Quais são as duas luas de Marte?

Marte tem duas luas conhecidas — Fobos e Deimos, designadas como Marte I e Marte II, respectivamente. As duas são bem pequenas: Fobos tem um raio de 11,2 km e Deimos, de apenas 6,2 km.

Marte vai perder suas luas?

Os cálculos mostram que Deimos está se afastando gradualmente de Marte e acabará por deixar a órbita do planeta; Fobos, pelo contrário, está se aproximando cada vez mais do planeta e algum dia provavelmente colidirá com Marte.

O que exatamente acontecerá com Fobos?

Marte destruirá Fobos. A gravidade do planeta vermelho está trazendo Fobos cerca de 1,8 metro mais perto a cada cem anos. Nesse ritmo, em 50 milhões de anos, a lua se chocará contra a superfície de Marte ou se fragmentará, transformando-se em um anel.

Quem descobriu as duas luas de Marte, Fobos e Deimos?

O astrônomo americano Asaph Hall descobriu Fobos e Deimos em agosto de 1877. Hall viu Deimos pela primeira vez em 12 de agosto de 1877, e Fobos em 18 de agosto de 1877. A história diz que ele estava prestes a desistir de suas buscas pelas luas de Marte apenas um dia antes de encontrar Deimos, mas sua esposa, Angelina, exortou-o a seguir com as observações.

Conclusão: As duas luas de Marte, Fobos e Deimos, estão entre as luas mais estranhas do Sistema Solar. Elas são minúsculas, têm formatos semelhantes a asteroides e orbitam o planeta vermelho mais perto do que qualquer outra lua. Além disso, sua origem não corresponde à formação de outras luas e, à primeira vista, parece quase impossível.

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Crédito de imagem:Vito Technology, Inc.
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